Edição especial — Riscos psicossociais e os dados de absenteísmo e presenteísmo corporativos
Fundadora do Acessa Saúde | Ajudo empresas a reduzir seus indicadores de absenteísmo e presenteísmo com inteligência de dados e IA

Amanhã é o dia fatídico: dia 26 de maio, quando passam a valer oficialmente as atualizações da NR-1 relacionadas aos riscos psicossociais. Espero que sua empresa já esteja preparada!
Meu papo aqui hoje não é sobre lembrete, não é alarmismo, não é mensageiro apocalíptico, muito menos vender curso ou palestra...
Vamos falar sobre os indicadores que sua empresa já tem e/ou deveria acompanhar e que refletem boa parte dos riscos psicossociais do seu ambiente: presenteísmo e absenteísmo.
Antes, os conceitos
Presenteísmo é o fenômeno em que um profissional cumpre sua jornada de trabalho, mas apresenta baixa produtividade ou falta de foco. É frequentemente chamado de "absenteísmo de corpo presente": a pessoa está no escritório (ou conectada no home office), mas sua mente ou capacidade física estão comprometidas.
Absenteísmo é a ausência ou o afastamento não programado de funcionários de seus postos de trabalho. O termo abrange faltas (justificadas ou não), atrasos constantes e saídas antecipadas.
Interessante que ainda não são todas as empresas que têm seus indicadores de presenteísmo e absenteísmo claros para gestão estratégica, e aqui começa o primeiro risco. Não identificar a frequência dos afastamentos, os motivadores e a sazonalidade pode expor sua empresa a um risco que poderia ser evitado. Frequência de afastamentos, CID do atestado e área dizem muito sobre possíveis riscos psicossociais daquele ambiente.
E não acredite que este acompanhamento é papel isolado do RH, tá?! Lideranças precisam ser corresponsáveis por este acompanhamento contínuo. São os líderes que estão no dia a dia das operações: coordenadores, gerentes operacionais, gerentes estratégicos — são vocês que estão na linha de frente com seus times. Diretores, seus líderes estão se ausentando? Já identificou se os motivadores podem ser riscos internos?
E o presenteísmo?
Esse indicador é mais complexo e não tem uma fórmula exata, mas um bom ponto de partida são as métricas de entregas e avaliação de desempenho. Você acompanha já? Consegue manter uma rotina de acompanhamento e padrão dentro da sua operação?
Porque presenteísmo raramente aparece de forma explícita. Ele aparece nos desvios.
Na queda gradual de produtividade. No aumento de retrabalho. Na perda de qualidade. Na dificuldade de concentração. Na lentidão operacional. Na redução de engajamento. No colaborador que continua “presente”, mas já não consegue operar na mesma capacidade.
E aqui está um dos maiores erros que vejo no mercado: as empresas esperam o afastamento formal, o CID F ou a crise instalada para começar a agir.
Mas o afastamento quase nunca começa no afastamento. Antes dele existir oficialmente, normalmente já existiam sinais operacionais acontecendo há meses. É exatamente por isso que a atualização da NR-1 muda tanto a lógica do jogo corporativo: porque ela força as empresas a saírem do modelo reativo e começarem a estruturar governança contínua sobre riscos psicossociais. E governança não se faz com percepção isolada. Não se faz com campanha pontual. Não se faz apenas com benefício corporativo.
Governança se faz com acompanhamento contínuo, indicadores, rastreabilidade e tomada de decisão baseada em evidência.
No final do dia, a pergunta que fica não é: “sua empresa oferece apoio psicológico?”
A pergunta real é: sua empresa consegue identificar os sinais antes que eles virem afastamento, passivo e impacto operacional?
Porque intenção não reduz risco. Dados e gestão, sim.
Sua empresa mede absenteísmo e presenteísmo como risco?
Faça o diagnóstico de maturidade NR-1 e veja onde estão as lacunas de governança sobre riscos psicossociais.