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    O afastamento nunca começa no CID F. Ele começa muito antes — e quase ninguém está olhando para isso.

    20 de abril de 2026
    Tabata Polato

    Fundadora & Head de Produto e Estratégia na Acessa Saúde | Transformando saúde corporativa com tecnologia

    Silhueta humana formada por padrões de dados conectados representando a jornada de saúde do colaborador

    Existe um erro estrutural na forma como as empresas enxergam saúde mental e isso que está gerando grandes conflitos, dúvidas e retrabalho no ambiente corporativo. Elas olham para o final da história: o diagnóstico do CID F. O afastamento longo (em média de 90 a 100 dias). O caso que já virou problema organizacional.

    Mas toda esta história não começa ali no afastamento, ela começa muito antes — e de forma silenciosa e na maioria das vezes negligenciada ao extremo.

    Começa naquele colaborador que se afasta dois dias por uma cefaleia recorrente. Depois volta. Depois se afasta novamente, agora por uma crise de pressão alta. Algumas semanas depois, um episódio de arritmia. Nada grave o suficiente, isoladamente, para acender um alerta real, mas absolutamente relevante quando observado como padrão.

    O que vemos na realidade são esses eventos sendo tratados como episódios desconectados, o que de fato não são. Eles são sinais de sobrecarga, desregulação e de que as coisas não estão funcionando como deveriam, principalmente se os sinais são observados em áreas inteiras, equipes e lideranças que antes performavam e passaram a se afastar.

    E quando esses sinais são ignorados, a jornada evolui. Até que um dia ela aparece onde as empresas costumam olhar: no CID F.

    E aí já não estamos mais falando de prevenção. Estamos falando de consequência e podemos considerar que o custo dessa consequência já está muito claro no mercado.

    Afastamentos relacionados ao CID F têm duração média entre 90 e 100 dias. Não são eventos pontuais. São rupturas prolongadas na operação. Só em 2025, esses afastamentos representaram um custo de aproximadamente R$ 3,5 bilhões para o INSS.

    E esse número não inclui o custo invisível dentro das empresas: presenteísmo, queda de produtividade, sobrecarga de equipes e impacto na liderança. Ou seja, quando o problema chega no CID F, ele já deixou de ser humano apenas. Ele já é financeiro, operacional e estratégico.

    O ponto central aqui não é médico. É estrutural.

    A maioria das empresas ainda não acompanha a jornada de saúde do colaborador como um dado contínuo.

    Elas reagem a eventos isolados, mas não analisam a trajetória e é exatamente na trajetória que o risco se revela.

    Quando você começa a conectar esses pontos — afastamentos curtos, recorrência de sintomas físicos, concentração por área, liderança ou função — você deixa de olhar para casos e passa a enxergar padrões.

    E padrões não são coincidência. São evidência. E evidência exige decisão.

    Não é vigilância. É proteção.

    É importante deixar claro: acompanhar dados da jornada do colaborador não é, e nunca deveria ser, um mecanismo de controle ou vigilância.

    Não se trata de monitorar indivíduos. Se trata de proteger pessoas e reduzir risco organizacional, porque quando um colaborador adoece, a empresa já falhou em algum nível do sistema e se isso acontece de forma recorrente, não estamos mais falando de indivíduos, estamos falando de estrutura organizacional falha.

    A grande virada acontece quando a empresa entende que saúde mental não é um evento. É um fluxo, e fluxo precisa ser medido ao longo do tempo, não apenas no momento em que ele se rompe e gera o sinistro.

    Quantos sinais a sua empresa está ignorando hoje porque ainda enxerga saúde como eventos isolados?

    Porque no final, a pergunta não é se o problema vai aparecer, a pergunta é se você vai enxergar ele antes… ou apenas quando ele já virou afastamento.

    E talvez essa seja a mudança mais desconfortável para as empresas: o problema nunca foi a falta de informação, foi a falta de leitura da jornada, porque quem só olha para o CID F… sempre chega atrasado.

    Sua empresa está lendo a jornada — ou só reagindo ao CID F?

    Conheça como o Acessa Saúde estrutura governança de risco psicossocial com dados contínuos da jornada do colaborador.

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